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Porto Antigo de Fortaleza

"0 embarque foi uma luta com aquele mar indomável de costa nua e brava. Empolado, erguia. vagalhões que rolavam de praia afora, levando de rojo tudo o que encontravam em seu caminho. Os remadores, quase no seco, agüentavam os botes que a maré forcejava para atirar sobre a praia.
Enquanto uns guardavam os batéis, outros embarcavam os passageiros, que levavam montados nas ombros.
Os botes carregados acima da lotação largaram. Foi labuta sem tréguas de um instante a passagem da rebentação.
As embarcações andaram bem uns quinze minutos aos trambolhões trepadas na crista dos vagalhões, até que se safaram, menos a em que ia João das Neves. Esta recebeu um ralo de mar que se lhe acaçapou na proa, inundando-a e pondo-a no fundo. Os passageiros, todos sertanejos e bons nadadores, meteram o braço n´água e chegaram em terra, primeiro do que os remadores. Salvaram-se, porém, com a roupa do corpo. Nenhuma maca veio à tona d´água!
João Bazófia, que dirigia o embarque, muito acostumado a ver estes desastres, tão comuns no porto do Ceará, limitou-se a dizer ao Pedro Embarcadiço:
- Por uma nau se perder, as outras não deixam de navegar; leve a gente pra bordo na sua lancha que o vapor não tarda a pedir, malas." Rodolfo Teófilo - O Paroara

  PROXÍMA

 

 


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