| Home | Trabalhos | Nossa Equipe | Links | Preservando a História | Contatos |
 TRABALHOS
 PRESERVANDO A HISTÓRIA
 LINKS
 EQUIPE

 

Cadastro Patrimônio Edificado Fortaleza Centro

Cadastro do Patrimônio Histórico

 Centro Antigo de Fortaleza

Entendemos o ato de preservar como instrumento de cidadania, como um ato político e, assim sendo, um ato transformador, proporcionando a apropriação plena do bem pelo sujeito, na exploração de todo o seu potencial, na integração entre o bem e o sujeito num processo de continuidade.  “Uma cultura é avaliada no tempo e se insere no processo histórico não só pela qualidade de representações que dela emergem, mas sobretudo pela sua continuidade. Essa continuidade comporta modificações e alterações num processo aberto e flexível de constante alimentação, que garante a uma cultura a sua sobrevivência. Para seu desenvolvimento harmonioso pressupõe a consciência de um largo segmento do passado histórico”. Fundação Nacional Pró-Memória, 1985. O Forte de Shoonenborch - A Origem de Fortaleza Pero Coelho de Sousa, vindo da Paraíba em 1603 e desejando conquistar as terras, mandou erigir uma fortificação denominando-a de Forte de São Tiago, na barra do Rio Ceará, a Oeste de onde se localizaria mais tarde a cidade de Fortaleza. Estavam em seus planos a defesa  do núcleo populacional a formar-se com o nome de Nova Lisboa. Todavia com o fracasso de sua expedição, o prédio, de levantamento precário, foi destruído pela ação do tempo. No ano de 1611, Martin Soares Moreno, que fora soldado de Pero Coelho, voltou à região, e para assegurar a posse portuguesa, ergueu no mesmo lugar  do Forte de São Tiago, o de São Sebastião, nome dado em homenagem ao Santo do dia (20 de janeiro). O “Guerreiro Branco” das páginas de Iracema, imortalizado por José de Alencar,  na vida real foi um homem de extrema bravura que lutou até a velhice por seu rei e seu país. A segunda expedição dos holandeses chegou à enseada  Mucuriba, no dia 02 de abril de l649. Vinha chefiada por Matias Beck, cuja parte militar estava confiada ao major Joris Garstman, que já estivera nesta região, no posto de comandante da primeira invasão holandesa em 1637. Aqui instalados, os flamengos escolheram a colina Marajaitiba, onde abaixo corria o rio Marajaik e aí iniciaram a construção de um forte  em 10 de abril de 1649, o qual tomou o nome de Shoonenborch, para homenagear  o governador do Pernambuco. O rio que os holandeses chamavam Marajaik e mais tarde, também denominado Ipojuca e Telha, é hoje o Pajeú. De pouca expressão  dentro de um quadro físico, posto que nascido de um olho-d ‘água a menos de cinco quilômetros distantes do mar, com o vale inferior a 200 metros de largura, foi o escolhido para o assento de um fortim. O rio Ceará (150km) e o rio Pacoti (120 km),  apesar de mais caudalosos ficaram preteridos porque a localização do Marajaik era mais favorável à expansão de uma cidade futura. O Marajaik, com o decorrer do tempo, perdeu seus dois rios tributários, desaparecidos devido a aterros e a vários fatores da topografia, “à semelhança do que vem acontecendo com ele próprio, reduzido que se acha a um simples rio histórico" (Pajeú). O primeiro, mais à foz, corria das baixadas da Lagoinha, onde hoje está assentada a Praça Capistrano de Abreu, e do Campo da Amélia (Praça Castro Carrera). O outro era o Córrego do Garrote, que nascia na elevação da atual Praça Clóvis Bevilaqua, atravessava a Rua Senador Pompeu, corria ao longo da Avenida Duque de Caxias, lançava-se na Lagoa do Garrote (Parque da Liberdade) e daí desaguava no seu principal. Ao se apossar do forte que os holandeses iniciaram a construção (Shoonenborch), em 20 de maio de 1654, o Capitão-mor Álvaro de Azevedo Barreto, como primeiro ato, mudou o nome para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. A construção, bastante precária, foi remendada diversas vezes, até o ano de 1816, quando se transformou realmente em uma fortaleza, por vontade do Governador do Ceará Manoel Inácio de Sampaio (mais tarde seria o Visconde de Lançada), que aprovou o projeto do engenheiro Silva Paulet. Fortaleza, da mesma forma que Roma, como tem sido afirmado desde os primórdios, assentou-se sobre sete colinas. A primeira, a lombada ou colina Taliense ficava onde hoje se situa a Rua Barão do Rio Branco, entre as Ruas Guilherme Rocha e Liberato Barroso. Ao tempo de João Brígido, ali funcionava o Teatro Taliense; a segunda, a colina da Misericórdia (Marajaitiba), onde atualmente se encontram a fortaleza, o quartel da 10ª Região Militar, o Passeio Público, a Santa Casa e adjacências. O visitante inglês Henry Coster, em 1820 descreveu-a como  “uma montanha de areias”; a terceira, estendia-se ao Sul do Córrego do Garrote, cujo ápice topográfico ficava no local da nossa Praça Clóvis Bevilaqua. No ano de 1867, mais ao Sul, instalaram as caixas d ‘água  da “Ceará Water Works Co., Ltd., cujo abastecimento era feito por meio de chafarizes; o Planalto ou outeiro da Prainha, à margem direita do Pajeú, que se alargava até a barranca ou descida para o mar. “O Seminário Episcopal foi construído quase na extrema dessa barranca. Embaixo estavam os trapiches e a alfândega velha: era a Prainha.” Conforme João Brígido, baseado em seguras tradições, as águas do oceano batiam na encosta desse planalto; a quinta colina denominada Morro do Croatá, ficava  mais para Oeste, onde ao sopé construíram as instalações da Estrada de Ferro; ao Sul, à margem direita do riacho do Garrote, o Alto da Pimenta (sexta colina), em cujo  declive, o Boticário Ferreira iniciou a construção da Igreja de Nossa Senhora das Dores, a qual não pode concluir; Posteriormente, no local, ergueram a Igreja do Sagrado Coração de Jesus; a sétima,  era a elevação da Aldeota. No ano de 1656 ficou o Ceará subordinado à jurisdição de  Pernambuco sendo autorizada a criação da Vila do Ceará ou de São José de Ribamar, por meio de Carta Régia sem especificar o local onde deveria ser levantado o Pelourinho (simbolizava a jurisdição municipal). Finalmente, no dia 13 de abril de 1726  foi instalada  definitivamente a “Vila de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, pelo Capitão-mor Manuel Francês, todavia a emancipação somente se efetivou em1799. Poucos informes existem sobre Fortaleza  no final do Século XVIII. O Século XIX, mais promissor, assistiria a emancipação do Brasil de Portugal (1822), e a criação das províncias do Império Brasileiro, entre elas, a do Ceará, que, em 17 de março de 1823, elevada à categoria de cidade recebeu o nome de ”Cidade de Fortaleza de Nova Bragança”.    Quando Henry Koster, em 1810 visitou Fortaleza, focalizou como “problema central da cidade a sua construção em terreno arenoso e a ausência de rios e cais, além de suas praias possuírem vagas violentas, tornando o desembarque difícil”. Outras dificuldades apontadas eram  a ausência de transporte, o porto e o pesadelo das secas. Ressaltava que, as residências possuíam só o pavimento térreo e as ruas e praças não eram calçadas. Igualmente destacava a existência do Palácio Governamental, da Câmara, da Tesouraria e outras edificações pequenas como  a Alfândega. Também existiam três igrejas. A Vila de Fortaleza tinha 1200 habitantes, quatro ruas centrais e um comércio restrito. Até meados do Século XIX, a evolução urbana de Fortaleza era bastante lenta. Em 1800 havia um “arruador” (arquiteto leigo) para organizar  o traçado das ruas e treze anos depois, a Câmara Municipal possuía uma planta parcial da Vila elaborada pelo engenheiro Antônio José da Silva Paulet, que em 1843 teve seu plano executado, começando pela demolição do Beco do Cotovelo, cujo objetivo era embelezar a Praça Pedro II,  futura Praça do  Ferreira. Poucas edificações se destacavam. O sobrado do Comendador Machado, com três pavimentos e o mais alto, era uma exceção. Havia carência de tijolo e cal e o solo arenoso da cidade criava dificuldades para uma população de 8.000   habitantes (1848),  que dispunha de 1418 casas, sendo apenas 517 de tijolo e telha. Novo plano urbanístico, elaborado em 1875 por Adolfo Herbster, tinha por objetivo sistematizar a expansão da cidade através do alinhamento de suas ruas e da abertura de novas avenidas. Este mantinha o sistema de traçado em xadrez, já delineado por Silva Paulet. No entanto, constituíra-se em um estudo decisivo para a cidade daí por diante, pois ampliava-lhe o traçado para além de seus limites de então e criava, seguindo a orientação francesa do prefeito de Paris – o Barão de Haussmam – três bulevares situados nas atuais Avenidas Imperador, Duque de Caxias e Dom Manuel.  Inspirado pois na reforma urbana de Paris, o plano de Adolfo Herbster tinha um duplo objetivo: “de um lado facilitar o fluxo das pessoas e produtos da cidade em processo de crescimento e por outro, permitir a tarefa do olhar dos poderes públicos na fiscalização de possíveis levantes populares nas ruas de Fortaleza”. “Desde 1834 idealizou-se melhorar a iluminação pública, todavia o contrato com  Vitorino Augusto Borges  seria assinado naquela data, constante da instalação de quarenta e quatro lampiões que “deveriam ser conservados limpos e brilhantes  das seis horas da tarde até que amanhecesse, ou até que... saísse a lua. Seriam alimentados a azeite de peixe”.  Mais tarde, em 1866, substituíram  esse sistema pelo gás carbônico, em poucas ruas e algumas residências. A seca de 1845 e as epidemias de febre amarela, em 1851 e a de cólera no período de 1862 a 1864 foram responsáveis, em grande parte, pela construção da Santa Casa de Misericórdia (1861) e do Lazareto da Lagoa Funda e de um colégio para os órfãos. Precisamente no dia 1º de março de 1848 inaugurava-se o primeiro cemitério da cidade, que chamaram cemitério do Croatá por causa do morro que lhe ficava ao lado.

Capitão-mor Manoel Francês 1726

Silva Paulet 1813

Adolfo Herbster 1888

 

Adolfo Herbster 1859


Padre Manuel do Rêgo de Medeiros 1856

Planta de Fortaleza 1932

Desde o final da década de 50 e inícios da de 60, a cidade passou a contar com calçamento em algumas ruas centrais e a partir dos anos  80,  com  linhas  de  navios  a  vapor  (1866), sistema de canalização de água do sítio Benfica, transporte coletivo(1880), construção  do primeiro pavimento do Passeio Público (1880), antiga Praça dos Mártires e que passou a ser o ponto de encontro e espaço de sociabilidade da elite local, telégrafo (1881), instalação de cabo submarino para a Europa (1882), a via férrea que ligava Fortaleza ao sertão (1873), telefone (1883), e o  surgimento da  primeira  fábrica  de  tecidos  e  fiação  de propriedade do Dr. Thomaz Pompeu de Souza Brasil (1883).  Surgem os primeiros jornais de circulação periódica na capital, bem como as primeiras instituições de saber: a Biblioteca Pública (1867), o Instituto Histórico e Geográfico (1887) e a Academia Cearense de Letras, a primeira do Brasil (1894) e entidades educacionais, como Seminário da Prainha, o Colégio da Imaculada Conceição e a Escola de aprendizes Marinheiros, todos em 1864.  Em 1897 contava com um mercado público, com estrutura metálica trazida da Europa, apenas oito anos  depois   de erguida a Torre Eiffel, com dois clubes elegantes, um asilo para alienados (1886) e a Padaria Espiritual, uma agremiação cultural criada por Antônio Sales e instalada  no dia de maio de 1892.  A empresa Ferro Carril do Ceará, incorporada por Tomé  A . da Mota,  abril de 1880, iniciou o transporte coletivo com 25 bondes, de 25 lugares puxados à tração animal (burros), que foram  substituídos por bondes elétricos da The Ceará Tranways Light and Pawer Co. Ltd, em 13 de outubro de 1913. Na data de 3 de agosto de 1873 a locomotiva Fortaleza realizava a primeira viagem de trem da Estrada de Ferro de Baturité, momento  em que foi inaugurada a estação de Parangaba. “Após viver uma década (a de 1891–1900), plena de agitações intelectuais vendo criarem-se diversas associações de ordem cultural, Fortaleza, com os seus 48.369 habitantes anotados pelo censo de 1900, entra para o novo século em meio as mais delirantes festas”. Insere-se no cenário nacional como um dos principais centros urbanos do País, sendo a sétima capital brasileira em população. A partir de 1910 apareceram os primeiros automóveis e neste mesmo ano foi construído o Teatro José de Alencar. O Cine Majestic e o Cine Moderno, respectivamente, 1917 e 1922, fizeram que o Passeio Público perdesse  a atração social que exercia na cidade. Entre as décadas de 20 e 30, as classes sociais mais elevadas  procuraram áreas urbanas mais seguras e confortáveis para residir. Desses deslocamentos  surgiram os bairros elegantes de Fortaleza: Jacarecanga (20), Praia de Iracema (antiga Praia do Peixe) e Aldeota (anos 30 e 40) . A Fortaleza de 1940 era uma cidade de porte médio, a terceira em importância no Nordeste, com uma população de 205.724 habitantes. Em 1948 comportava 117 firmas de importação e 49 responsáveis pelas exportações. Hoje, no ano 2002  somos mais de dois milhões de habitantes e uma das principais capitais do Brasil. Esta bela cidade, abençoada por Nossa Senhora da Assunção e pelo padroeiro do Ceará, São José, é uma das metrópoles mais bonitas do país.

 


Voltar

 

Dados

01. Cadastro do Patrimônio Histórico

02. Objetivos Gerais.

03. Objetivos Específicos.

04. Análise do Cadastro do Patrimônio Histórico

05. O Estado Crítico por Zona

06. Tipologia Arquitetônica

07. Os Ambientes

08. Cronologia de Fortaleza

09. Inventário de Monumentos Escultóricos

   
| Home | Trabalhos | Nossa Equipe | Links | Preservando a História | Contatos |
Copyright © 2002 Oficina de Projetos. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por ANTENA DIGITAL