Tipologia Arquitetônica
“As casas tem as frentes elevadas sobre as quais coroam elegantes
cimalhas, pintadas de cores alegres”
“As condições de ventilação,
insolação, aplicadas a malha ortogonal da cidade tinham
conduzido a valorização social dos lotes situados
no lado da sombra das ruas que corriam de norte a sul em detrimento
das travessas dispostas de leste a oeste.
Esse sistema , gerando um lote padronizado, que propiciara a chamada
casa corredor cujo projeto se repetia sem alterações
em qualquer lote. Em conseqüência, nas casas de esquina,
desenvolviam-se longos muros correspondentes aos quintais, muitas
vezes transformados em pequenas moradias, quartos alugados ou pequenos
comércios. Por tal razão morar em casa de travessa,
representava um demérito social.
Aparecem mais tarde para romper com o vejo sistema acessos laterais
a modo de reduzir ou mesmo eliminar o longo corredor que atravessava
a morada da frente aos fundos” Liberal de Castro.
A casa Fortalezense era uma encostada a outra sobre o alinhamento
das calçadas sem nenhum recuo, era a construção
típica da época, diminuindo a incidência do
sol considerando as ruas estreitas, e a aeração era
compensada pelo pé direito quase sempre de quatro metros,
e pelos telhados de telhas vãs sem forro, que se adequavam
perfeitamente ao clima local.
O sistema construtivo era bem simples, utilizando como material
fundamental o tijolo de diatomita.
Os códigos de postura vão dando uma nova fisionomia,
obrigando ao abandono do beiral e criação das platibandas,
que mudam totalmente o aspecto da cidade, dando-lhe mais elegância
e relevância as fachadas.
Aparecem alguns elementos do neoclássico e de outros estilos
de Europa como Ecletismo, o Art-Nouveau com suas curvas suaves e
o Art-Déco com soluções decorativas com linhas
retas e puras, proliferando este último por sua facilidade
de execução.
No século XIX a cidade apresenta uma homogeneidade arquitetônica,
traduzida pelo emprego de elementos decorativos, aplicados aos exteriores
das casas.
As Igrejas são na maioria singelas e elegantes, misturam
o neoclassicismo com um neo-gótico sem grandes pretensões.
Aparecem alguns elementos importados como pisos, balaústres,
escadas de ferro. Os pilares e vigas de edificações
como Alfândega, Mercado de Ferro, Teatro José de Alencar
e Cinema Magestic são importados totalmente da Europa O ecletismo
triunfante na França no século XIX foi caraterizando
nos sobrados que definiam as Ruas Major Facundo e Barão do
Rio Branco,
A partir dos anos 20 aparecem as novas formas de implantação
residencial, uma adaptação da chácara semi
rural isolando-se a casa inteiramente das divisas, dispostas muitas
vezes no meio de um jardim, soluções que dava um toque
de nobreza, esta, com poucos exemplares no centro.
O ecletismo é adotado como norma estética geral, aplicado
tanto em residências como nas construções comerciais.
Os elementos decorativos do ecletismo arquitetónico são
aceitos pela maioria da população, surgindo exemplares
de interpretação própria de cada artesão.
A cidade se engalana com profusão de formas decorativas,
com guirlandas , balaustradas nas platibandas, balcões e
nos muros de frentes, aparecem elementos com rasgos do Art-Nouveau,
as esquadrias se refinam e aparecem as bandeiras de portas com infinidade
de desenhos desde as formas geométricas a composições
florais. As janelas das fachadas agora são portas, vão
até o piso, resguardadas por grades ou varandas de ferro
fundido ou de serralheria, dando um toque de urbanidade e transparência
espacial à casa.
A cidade em 1930 parecia maquiada. Havia ganha sua importância
como conjunto homogêneo e equilibrado. O resultado era uma
cidade harmoniosa, tanto em sua arquitetura como em seu espaço
urbano.
Os Acessos
Predominam poucos acessos veicular de importância ao Centro
Antigo: do Leste - Aldeota pela rua Costa Barros, do sul pela Avenida
da Universidade, Visconde do Rio Branco e Aguanhabí, pelo
oeste pela Avenida Bezerra de Menezes e Leste-Oeste.
Outro acesso importante e o acesso pela Estação Ferroviária
João Felipe que proximamente será substituído
por o Metro
Como importante eixo de circulação de pedestres estão
as Ruas Guilherme Rocha e Rua Liberato Barroso, que constituem um
fluxo contínuo de centenas de pessoas , fundamentalmente
da população que trabalham no comércio ou usam
o centro como enlace interbairros, Também outros importantes
eixos unem as Praças gerando um importante peso no movimento
de público em geral. As Ruas Major Facundo, Floriano Peixoto,
Barão do Rio Branco e Senador Pompeu constituem também
importantes eixos comerciais e ainda hoje conservam parte do seu
caráter histórico-arquitetónico.
Política Geral de Reabilitação
O conceito de proteção adquire uma dimensão
muito mais amplia que a simples política de proteção
de edifícios monumentos, orientando-se agora para o conjunto
da estrutura urbana compreendendo a dupla vertente de análises
espacial e social.
Não se trata somente da conservação do conjunto
edificado mas também do seu caráter, da seu função
tradicional, mediante a manutenção, revitalização,
atraindo a população com atividades idôneas.
Consiste em a adequação dos níveis de funcionalidade
e habitabilidade coordenadas por uma detalhada planificação
urbana.
O Centro nos apresenta uma arquitetura de grande valor de conjunto,
mais com exemplos construtivos de pouca qualidade, que por tratar-se
de uma atuação em muitos casos tardia, nos enfrentamos
com um patrimônio semi destruído e sub-utilizado.
Centro Histórico - Intenções
Estamos certos ao afirmar categoricamente, que a desolação
ambiental é um importante multiplicador das patologias sociais,
fazem apenas poucos anos que se começou a falar de integrar
o novo com o antigo, hoje é comum tratarmos de adaptação,
reciclagens é recuperação do ambiente construído.
A atual crises ambiental, que sofre o Centro de Fortaleza, pode
ser entendida como perca da essência do “Lugar”
, a cidade antiga era o resultado de um “Lugar” com
o qual era possível identificar-se e que dava a seus habitantes
um sentimento de atributos de estabilidade emotivas. Centralidade,
que significa socialização. Espaço público
contraposto ao espaço privado.
Portanto é necessário:
1- Considerar as possibilidades intrínsecas ao lugar, para
sua re-singularização, e para sua sobrevivência,
o “espírito do Lugar” exige interpretação,
estudo, coerência, para adaptá-lo a exigências
presentes nunca congelá-lo.
2- Nossa proposta de seleção foi relacionada ao contexto
cultural e as possibilidades econômicas e tecnológicas.
3- A história nos ensinará a respeitar o contexto
físico, ela nos explicará processos e nos indicará
caminhos
4- A arquitetura incorporada não deverá ser de ruptura
em os casos de GP 1 , mas sim de integração e que
responda a demandas concretas, abandoando vaidades.
5- Uma arquitetura que procure recuperar a escala adequada no uso
de seus espaços públicos.
6- Uma arquitetura que recrie a consciência do urbano como
bem comum
7- Uma proposta que valorize a integração com outras
dimensões da escala urbana, como paisagens naturais e culturais,
e que crie uma proposta que nos identifique culturalmente
NOTA:
O presente trabalho forma parte do sistema de inventários
necessários para realizar uma política integral de
recuperação do Centro Antigo de Fortaleza, forma parte
também do inventario continuo geral da cidade atualmente
em execução. Nesta primeira fase resumida oferecemos
alguns dados do Cadastro de Patrimônio Edificado de Grau de
Proteção - 1 do Centro Antigo de Fortaleza.