| Home | Trabalhos | Nossa Equipe | Links | Preservando a História | Contatos |
 TRABALHOS
 PRESERVANDO A HISTÓRIA
 LINKS
 EQUIPE

CORUMBÁ - Estação Natureza Pantanal

FUNDAÇÃO O BOTICÁRIO DE PROTEÇÃO À NATUREZA

Gerente
Maria de Lourdes Nunes “Malu”

Diretoria Técnica
Miguel Milano “Milano”

Diretora Administrativa/Financeira
Maria Carolina Zani

Líder Técnica/Administrativa
Rebeca de Mattos Daminelli

Coordenadora Administrativa
Ana Paula Fernandes Gumy

Agradecemos à Prefeitura Municipal de Corumbá, em nome do seu Secretário de Meio Ambiente, Cultura e Turismo, Ten. Cel. Ângelo Pacelli Cipriano Rabelo, da arquiteta Lígia Figueiredo C. Urdan e da engenheira Tânia Dantas, que nos facilitaram os dados fundamentais para a elaboração deste projeto.

EQUIPE DE PROJETO

OFICINA DE PROJETOS S/S LTDA.

Projeto de Restauração Arquitetônica:

Arquitetos
José Capelo Filho - Responsável Técnico
Lidia Sarmiento
Dráulio Luiz Araújo
Eduardo Valente

Projetos Complementares:

Engenheiro:
Adriano Sérgio Botelho Vieira

Consultoria Estrutural:

Engenheiro:
Gulielmo Viana Dantas
Orçamento/Caderno de encargo:

Engenheira:
Gládys Tamieti

ESTAÇÃO NATUREZA PANTANAL

FUNDAÇÃO O BOTICÁRIO DE PROTEÇÃO À NATUREZA
PROJETO DE RESTAURAÇÃO ARQUITETÔNICA

Objetivos:

A Fundação O Boticário, através de seu Programa de Educação e Mobilização dissemina conhecimentos, valores, atitudes para a mobilizar da sociedade em prol da conservação da natureza. No intuito de estabelecer contato mais próximo com o grande público e atuar à frente de um grande movimento de transformação da relação humana com a natureza, criou a Estação Natureza, uma exposição que concilia entretenimento e apreciação dos valores naturais do mundo em que vivemos.
A Estação Natureza Pantanal tem por objetivo a disseminação de valores conservacionistas através do encantamento pelas belezas naturais da região pantaneira. Mesclando interatividade e conhecimento, deve proporcionar a reflexão sobre o papel do homem na preservação do bioma em questão.
Com foco em dois tipos de público - visitantes em geral e grupos de escolas - a Estação Natureza Pantanal utilizará elementos interativos, imagens, sons e aromas para retratar detalhes da planície pantaneira, sua formação, aspectos físicos, a biodiversidade local e os resultados da ocupação humana na região.
Além dos elementos da exposição, no atendimento às escolas, a prática pedagógica adotada é essencial para o processo de sensibilização proposto. A vivência deve influenciar a formação e construção da cidadania das crianças e jovens e auxiliar professores na inserção da temática ambiental nas escolas.

O espaço de Corumbá:

O projeto do edifício Sleiman, situado na Ladeira José Bonifácio 111, com dois pavimentos com cerca de 320 m2 cada, além de um terraço ocupando toda a cobertura do imóvel, objetiva primordialmente devolver a comunidade, uma construção que forma parte do patrimônio histórico cultural da cidade de Corumbá e marca o período de esplendor da região.
O projeto de restauração, terá explícita uma definição clara e objetiva, cumprindo a legislação existente e as necessidades impostas pelo novo programa de uso, como a Estação Natureza. No primeiro pavimento estará o Salão de Exposições Permanentes, o segundo pavimento estará reservado para uma Sala Multifuncional, Salas para a Administração e Salas de apoio (depósito, sanitários, copa), ficando o terraço/sotéia como mirante, local de estar ao ar livre para a contemplação e observação em área sombreada, do Rio Paraguai e uma porção do Pantanal Sul-Mato-grossense, cabendo também a possibilidade de abrigar ponto de atividade comercial.
A recuperação terá como premissa o cuidado não somente com a obra em si, mas também com o lugar onde está inserida, pois forma parte do conjunto e da paisagem, assegurando que as novas construções, acréscimos serão inseridos de forma harmônica no conjunto.
Cabe destacar que a Fundação o Boticário de Proteção à Natureza, ao tomar a decisão de recuperar e instalar em um prédio histórico, um programa tão importante para o país como é a difusão e ensino da proteção a natureza, está também responsabilizando-se com a preservação e o resgate da formação cultural de um povo em seu sentido mais amplo, já que neste ato de preservar e restaurar estão sendo transmitidos valores e testemunhos da memória cultural, artístico e arquitetônico/urbanístico da cidade de Corumbá e por que não, da cultura Brasileira.
A Restauração da Casa Sleiman e a implantação da Estação Pantanal, atenderá a uma expectativa geral da comunidade, e da Prefeitura Municipal de Corumbá.

Fundação da Cidade:

Fundada em 21 de setembro de 1778, como parte da estratégia militar da Coroa Portuguesa para impedir o avanço dos espanhóis pela desguarnecida fronteira brasileira de Mato Grosso. Após a fundação do Forte Coimbra, em 1775, o presidente de Mato Grosso, Luis de Albuquerque de Melo Pereira e Cárceres, ordenou a construção de um porto de apoio militar. O arraial de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, primeira denominação do vilarejo, se transformaria, um século mais tarde, no principal entreposto comercial da região. Durante a Guerra da Tríplice Aliança, quando o Brasil se uniu à Argentina e ao Uruguai para combater o Paraguai, o local foi palco de uma das principais batalhas. A então Freguesia de Santa Cruz de Corumbá acabou ocupada e destruída pelas tropas de Solano Lopes, em 1865, sem nenhuma resistência, e retomada em 13 de junho de 1867.
O franqueamento da navegação pelo rio Paraguai mudou a região principalmente da vila de Corumbá, surgindo um considerável número de pessoas para se fixarem na vila. O comércio local cresceu rapidamente devido ao movimento de exportação e importação que veio caracterizar o porto da vila, percebendo este inevitável crescimento o então governador de província Joaquim Raimundo de Lamare, elaborou o traçado urbano de Corumbá, semelhante a um tabuleiro de xadrez, uns dos mais antigos do Brasil segundo alguns historiadores, data-se aproximadamente de 1857/58. Após a guerra, a abertura dos portos e o comércio internacional foram fatores preponderantes para a ocupação da fronteira oeste brasileira. A ligação como Buenos Aires, Montevidéu e alguns países europeus, os navios transatlânticos e os poderosos "mascates fluviais" dentre os quais se destacava o português Manoel Cavassa, fizeram do porto fluvial de Corumbá o terceiro maior da América Latina até 1930. Nessa época, funcionavam 25 bancos internacionais como o City Bank, e a moeda corrente era a esterlina. Em 1914, o Banco do Brasil instalava sua 14a agência aberta no Brasil. Os rios Paraguai e da Prata eram os únicos meios de comunicação da região com o mundo até a década de 50 quando os trilhos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, hoje privatizada, chegaram à fronteira com a Bolívia, mudando o curso da história e da economia local.
Com dificuldades desde a guerra com o Paraguai e embora devastada, iniciou-se o processo de reorganização dos núcleos urbanos bem como a regularização dos caminhos fluviais para Mato Grosso, iniciando as construções regulares de armazéns, prédios públicos e particulares que caracterizaram a paisagem urbana típica de Corumbá e consequentemente seu ciclo de comércio internacional. Os edifícios funcionavam como estocagem e armazenamento de produtos, construídos na Rua do Porto às margens do rio Paraguai, próximos à alfândega, surgindo um conjunto arquitetônico notável, exemplar e único na até então província de Mato Grosso.
Com a preocupação de preservar e proteger valores históricos e culturais, o então prefeito Fadah Scaff Gattas decreta como Patrimônio Histórico Municipal, o Casario do Porto, Decreto no 129/1985, sancionando a Lei Municipal, no 1279/92, em 1992 criando a Zona Especial de Preservação Ambiental e Paisagística do Porto Geral de Corumbá.
Com a ferrovia, o transporte fluvial foi abandonado e hoje as principais atividades econômicas são a pecuária, o ecoturismo e a exploração mineral. Corumbá com características singulares em termo de Brasil, cidade fronteiriça, portal de entrada para o Pantanal e uma personalidade arquitetônica e urbana milagrosamente preservados.
Corumbá passa por momentos de resgate de sua economia através da implantação da usina termoelétrica, com a construção do gasoduto Brasil-Bolívia, e a concretização do Programa Monumenta, reforça a potencialidade turística de Corumbá.

Localização:
A edificação faz parte do Conjunto Arquitetônico, tombado na cidade de Corumbá, um dos mais importantes para sua época. Devido à sua localização na Ladeira José Bonifácio, até então Ladeira da Alfândega e a Avenida Marechal Rondon, sendo um elo de ligação da antiga Cidade Baixa com a Cidade Alta, fazendo apesar de seu isolamento, um conjunto harmonioso e único ao casario do porto. Na primeira, voltada para o Porto, na base da encosta, é conhecida como Casario do Porto. São edificações do final do século XIX e início do século XX.
A parte alta, as suas edificações na sua maioria são do início do Século XX. A cidade em 1914, estava resumida ao quadrilátero formado pelas Ruas Oriental e Ocidental (hoje Edú Rocha), e a Colombo até a Avenida Marechal Rondon.
O prédio da família Sleiman, situado na Ladeira José Bonifácio, nº 111, construído em 1908, é parte integrante do conjunto arquitetônico do Porto-Geral e incluído no projeto de revitalização do Programa Monumenta e encontra-se fechada desde 1987. Ali, funcionaram: comércio, residência, Casa de Rendas e o Hotel Venizelos e na década de 40 a Capitania dos Portos (Marinha).
O prédio é de dois pavimentos com uma localização privilegiada entre a Escadinha da 15 (via de pedreste) e a Boate Studio 1054 (casa noturna). Tem seu acesso secundário pela Avenida Marechal Rondon na Cidade Alta e sua fachada principal na Ladeira José Bonifácio, ao norte, via de ligação entre Cidade Alta e Cidade Baixa. As fachadas leste e oeste anteriormente davam para terrenos no primitivo proprietário. O edifício contava com um terceiro acesso localizado na fachada oeste, possivelmente clausurado pelo último proprietário.

O Edifício:
O primeiro proprietário foi o Sr. Arruda Garzzom e Saad (10/06/1908), com o lote ainda no seu perímetro original, compreendendo desde o início da Ladeira da Alfândega, até a divisa com o lote n° 2 da mesma ladeira. Pelo Registro, acreditamos que o início da construção do edifício, ocorreu na mesma época e teve fins comerciais. Em 23/06/1921 a sociedade se desfaz, passando o imóvel a ser propriedade da firma Saad & Hadaad com os mesmos fins comerciais, sendo como toda edificação da época, comércio e moradia.
Mais tarde, em 17/04/1928, o proprietário passa a ser o Sr. Miguel Condos transformando o uso do imóvel em sua residência e em 1949 passou a hotelaria, chamado de Hotel Venizelos.
Por volta dos anos 40 do séc. XIX, há uma nova caracterização de uso do edifício. Funcionando ali a Mesa de Renda, conforme o livro História de Corumbá de Lécio G. de Souza (página 92). A pesquisa ainda nos fala que nesta mesma década a Capitania dos Portos funcionou no primeiro piso e a residência do então responsável, Capitão Araújo, no segundo piso.
Em 19/05/1987, passa a pertencer aos irmãos: Sr. Sleiman Mohamed e Sr. Eden Luiz Sleiman. A partir desta data o edifício permanece fechado e sem uso.

DIAGNÓSTICO

CARACTERÍSTICAS ARQUITETÔNICAS

O edifício de estilo eclético, com elementos componentes de estilo neoclássico. A platibanda da fachada principal é balaustradas moduladas por colunas, encobrindo por sua altura, o piso da sotéia.
A serralharia dos guarda-corpos das varandas, tem um desenho sugestivo, executado com perfis de secção quadrada com apelo geométrico. A fenestração da fachada principal é coincidente nos dois pavimentos, com portas almofadadas no pavimento térreo e de almofadas, venezianas fixas e vidro no pavimento superior. A monumentalidade do prédio é decorrente dos pés-direitos altos e de sua localização em uma ladeira.

SISTEMA CONSTRUTIVO/ESTRUTURAL

A tecnologia desenvolvida no final do Século XIX na Europa nos processos de fundição criaram técnicas construtivas que influenciaram o fazer da construção em toda América. O edifício Sleiman é um bom exemplo disso.
A edificação se desenvolve sobre uma plataforma nivelada sobre a encosta de formação rochosa com a construção das paredes de contorno em pedra lajeada muito encontrada da região, assentadas com argamassa de cal e areia e rebocadas internamente. Este conjunto de paredes perimetral é a base da estrutura do edifício.
Complementam o sistema estrutura uma malha de 12 colunas de ferro fundido, três a três no sentido longitudinal, encimadas por vigas de ferro laminadas, perfil duplo "T", no sentido transversal. Estas vigas suportam a vigueteria que por sua vez suportam as abobadilhas arqueadas, de tijolos prensados, colocados no sentido longitudinal e que conformam o piso. São duplas quando se produz a união de duas das vigas da laje. A altura desta laje está inserida no eixo da parede perimetral, um tensor para combater as tensões de empuxo horizontal gerado pelas abobadilhas. A estrutura que suporta a sotéia, tem pilares de ferro laminado, perfil duplo "T" de secção quadrada. As vigas transversais comportam-se igual ao piso inferior com vigueteria semelhante de vigas ferro laminado perfil duplo "T" com abobadilhas de arcos retos de tijolos postos de maneira à galga e no sentido transversal.
Podemos concluir que após uma análise visual, no que se trata da estrutura do edifício, a mesma se encontra em bom estado de conservação, merecendo uma boa manutenção.

DIAGNÓSTICO

INFILTRAÇÕES - SOTÉIA

A causa das grandes lesões sofridas pelo prédio são duas: as infiltrações generalizadas e o abandono por não-uso desde 1987, isto é, quase 30 anos.
As infiltrações estão por quase todas as paredes externas, pela laje de piso e por quase a totalidade da sotéia, proveniente das ações pouco técnicas, como as obstruções dos drenos existentes na cobertura.
Com este estado de abandono, a vegetação cresce incrustada nas paredes, lajes e cobertura.

DIAGNÓSTICO

INFILTRAÇÕES - PAVIMENTO SUPERIOR - FACHADA LESTE

O aterro do terreno colindante leste, foi feito sem levar em conta a fenestração da edificação tombada a nível municipal. Clausurou as janelas e está gerando um nível de infiltração preocupante. Requer uma solução urgente. Em uma inspeção expedita, verificamos que a casa noturna, ao que tudo pode indicar, contribui ainda mais com o problema, pois continua lançando a céu aberto, água sobre o aterro.

DIAGNÓSTICO

INFILTRAÇÕES - PAVIMENTO TÉRREO - FACHADA LESTE

O aterro do terreno colindante leste, foi feito sem levar em conta a fenestração da edificação tombada a nível municipal. Clausurou as janelas e esta gerando um nível de infiltração preocupante. Requer uma solução urgente. Em uma inspeção expedita, verificamos que a casa noturna, ao que tudo pode indicar, contribui ainda mais com o problema, pois continua lançando a céu aberto, água sobre o aterro.

DIAGNÓSTICO

INFILTRAÇÕES - PAVIMENTO TÉRREO - FACHADA SUL

A parede sul, padece do mesmo fenômeno. O aterro do fosso, que hoje aterra no fosso é decorrente da própria existência do prédio. Foi sendo aterrado de escombros ao longo do tempo e hoje está transformado em uma enorme cisterna que drena sua água pela parede do fundo do edifício. O acúmulo de água neste falso depósito se dá através das infiltrações do terraço.

DIAGNÓSTICO

BALCÕES, PATIBANDAS, CORNIJAS E FRISOS

O conjunto de elementos da fachada principal sofreram severos danos provocados principalmente pela oxidação do reforço estrutural utilizado na composição dos mesmos. Quiçá seja um dos procedimentos mais complexos no que toca a restauração, pois irá exigir uma mão-de-obra bastante especializada.

DIAGNÓSTICO

REBOCOS E PINTURA MURAL

Considerações Gerais:
A água é a principal responsável pela degradação das monumentos. É ela que sob suas diversas formas, propicia a migração de sais solúveis no interior dos materiais porosos de construção. Tais sais, através de ciclos de molhagem-secagem sucessivos, cristalizam-se e expandem-se, causando eflorescências brancas "lepras" ou escamação, corrosão de objetos metálicos por oxidação, fissuração e outros fenômenos de degradação.
A edificação apresenta sérios problemas provocados, todos pela água, a umidade descendente, proveniente de infiltrações na coberta, e dos aterros laterais. Depois de conhecer as causas da umidade, é necessário tomar as medidas para eliminação da mesma, antes de começar os trabalhos de restauração. As medidas a serem tomadas em cada caso estarão indicadas em desenho.
A primeira opção deve ser a conservação do revestimento antigo através de operações de manutenção e de reparação pontual. Se tal for inviável, pode ser apropriada uma consolidação do revestimento existente. Em terceiro lugar, deve encarar-se a substituição parcial em alguns paramentos, com recursos e revestimentos semelhantes aos antigos. Em último caso, pode de fato ser necessária a remoção e substituição total. Podem considerar-se, assim, quatro grandes opções possíveis de intervenção, que se caracterizam sucintamente a seguir.

Manutenção
Para prolongar a vida útil dos revestimentos é importante programar operações de manutenção periódicas, nomeadamente através de operações de limpeza e de tratamento, da correcção das situações que podem dar origem a infiltrações de água, que são causas de muitas outras anomalias e da reparação atempada das camadas de acabamento (barramentos e pinturas) que têm uma ação muito importante na proteção das camadas subjacentes. O recheio de fendas superficiais pode também enquadrar-se em operações de manutenção.

Reparações localizadas
Quando a severidade das anomalias o justifica, devem fazer-se reparações localizadas nas zonas mais afetadas, por exemplo, através do tratamento de fendas, da eliminação de sais ou do preenchimento de lacunas, com utilização de materiais semelhantes aos pré-existentes.

Memória do projeto de Restauração:

Antes de iniciar o projeto de restauração é necessário fazer algumas considerações que servem de apoio para a intervenção futura.
O projeto de restauração difere substancialmente de um projeto de obra nova, já que se trata de intervir em uma construção que pertence ao passado, e portanto responde às necessidades e condicionantes da época. Nosso trabalho consistirá em condicionar adequadamente o edifício às necessidades atuais de uso e funcionalidade, adaptando-o à realidade sócio-econômica da comunidade a que pertence.
O projeto de restauração contemplará as seguintes etapas:

1 - Justificação e definição de objetivos básicos. (Programa de uso).
2 - Diagnóstico.
3 - Anteprojeto.
4 - Projeto executivo.

Justificação e definição de objetivos básicos:
Em base às caraterísticas da edificação e o papel que há desenvolvido tanto histórico como culturalmente para a cidade de Corumbá, formando parte da história e das características tipológicas e formais da arquitetura da cidade, se faz necessária a restauração como atuação recomendada para a salvaguarda da edificação e portanto, do patrimônio.

Diagnóstico:
Nesta etapa foram analisados os aspectos físicos-espaciais e sócio-econômicos que incidem na edificação.
O conhecimento da edificação é tratado com profundidade, analisando aspectos urbanos e arquitetônicos.
Os melhores dados são oferecidos pela edificação mesma, o recolhimento de dados e pontos conflitantes são esclarecidos com o estudo detalhado da edificação, como foi explanado anteriormente.
A edificação não sofreu grandes transformações tanto do ponto de vista espacial, como estrutural.

Anteprojeto:
Uma vez analisadas as condições físico-espaciais da edificação e as possibilidades que ela nos oferece, se adaptou o programa de uso para as condicionantes reais, tendo em conta fundamentalmente as condições estruturais da mesma.
Nesta etapa de anteprojeto definimos as bases teóricas para regir as ações de conservação e restauração, definindo as primeiras propostas de atuação.

Projeto:
Nesta etapa se indicarão todas os critérios e ações para executar o projeto de restauração, indicando a forma de realizar os trabalhos recomendados.
Os trabalhos recomendados começarão pela limpeza e reconhecimento da estrutura pré-existente, assim como a pesquisa de pontos ainda não esclarecidos, tendo em conta o cuidado com evidências arqueológicas.
Se propõe ainda nesta fase, a manutenção de rebocos antigos preenchendo apenas lagunas com novas argamassas de cal e areia, aspecto que ficará pendente em função dos trabalhos preliminares in sito.
O aspecto mais preocupante no projeto de restauro será a consolidação da edificação, solucionando os deterioros principalmente provocados pela água.
Neste sentido se realizou o estudo, e se diagnosticou as zonas de conflito e se determinou como premissa para o projeto, não interferir na estrutura em caso algum, o que determinará que as condicionantes para solucionar a circulação vertical, a colocação do elevador, seriam fora da edificação, e como conceito pré-estabelecido, com uma linguagem totalmente contemporânea.
A necessidade do elevador com o fim de cumprir com os objetivos do uso proposto, corresponde também às exigências da NBR 9050 set/1985, referente à adequação das edificações a pessoas deficientes.
A proposta do elevador em área colindante à edificação corresponde a dois fatos fundamentais; o primeiro de ordem operativa, já que o terreno pertence a Prefeitura de Corumbá, que não tem parecer contrário, e a segunda de ordem construtiva, já que o espaço permite pelas condições do terreno, a possibilidade de implantação da torre de elevador. Sem interferir na paisagem, resultará um entendimento com a unidade funcional do edifício e do entorno, e em sua expressividade a torre do elevador, se apresentando como elemento contemporâneo, mas não formando parte da edificação. Assegurando uma ética de intervenção equilibrada e perceptível, neste sentido se propõe o uso de aço inoxidável escovado para o aspecto exterior da torre.
Os acessos do elevador com o edifício se darão por uma porta histórica fechada no primeiro andar, pelo vão da janela do segundo pavimento e na sotéia, desembarcando na área sombreada por uma colméia metálica, seguindo os mesmos princípios de intervenção, sem interferências no edifício.
Esta colméia metálica não será vista desde a fachada da Ladeira José Bonifácio, já que ela estará cobrindo a área posterior do edifício, ajudando a protegê-lo das chuvas, e fica por trás do terraço, o que não interferirá nas visuais desde Avenida Marechal Rondon.

 

| Home | Trabalhos | Nossa Equipe | Links | Preservando a História | Contatos |
Copyright © 2002 Oficina de Projetos. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por ANTENA DIGITAL