
MERCADO DOS PINHÕES
PROJETO DE RESTAURAÇÃO - 1998

Facahda do Mercado
MEMÓRIA
O Mercado da Carne é
inaugurado em 18 de abril de 1897, na gestão de Guilherme César
da Rocha, então Intendente Municipal de Fortaleza e aliado do
Comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly, Governador e líder
da famosa oligarquia dos Accioly, a qual foi deposta de modo violento
em 1912.
A estrutura metálica
do prédio do mercado foi inteiramente pré-fabricada em
ferro, na França, sendo produzida nas oficinas Guillot Pelletier,
em Orleans, como o foi seu congênere recifense, o Mercado de São
José.
O edifício era
composto de dois pavilhões unidos lateralmente por uma passagem
coberta chamada de “avenida”, com a estrutura e os adornos
das fachadas em ferro fundido e com elementos de vedação
(grades, portões, frontões,...) em ferro laminado unidos
e fixados, ora com parafusos, ora com rebites, compondo um conjunto
representativo da mais fina serralharia. O Mercado estava aberto à
ventilação e à luz natural, tendo sido desenvolvido
pelos franceses e ingleses para climas semelhantes ao nosso, já
que tinham muita experiência em construções nas
suas colônias da África, Índia e Ilhas do Caribe.
Os mercados públicos de Fortaleza e do Recife (Mercado de São
José) os únicos exemplares da arquitetura do ferro de
fabricação francesa no Brasil, levando-se em consideração
que os outros mercados remanescentes no Rio Grande do Sul, São
Paulo, Rio de Janeiro, Pará e Amazonas foram adquiridos de fábricas
inglesas.
Apesar de exercer uma
forte influência francesa sobre a economia e os costumes cearenses,
a Casa Boris fundada em 1869 optou pela firma inglesa “Walter
Macfarlene & Co.” na aquisição do Teatro José
de Alencar.
A montagem do Mercado
foi contratado o Mestre Álvaro Teixeira de Sousa Mendes sendo
utilizado granito cearense para a pavimentação das calçadas.
Nirez ainda nos relata um fato peculiar da história do Mercado
da Carne: os recursos financeiros para a compra da ferragem foram levantados
através de bilhetes de crédito, popularmente conhecido
como "borós". (Fortaleza de Ontem e de Hoje, Tipogresso,
páginas 153 e 181).
Durante a execução
do projeto de restauração descobriu-se fortes indícios
de que o embasamento que circunda o edifício é de mármore
branco, de possível procedência italiana, pelas características
que conservam até hoje, e não de pedras calcárias
do itapahy, como registrado no artigo do jornal A República de
Fortaleza.

A característica
que certamente marca a arquitetura do ferro é sua portabilidade,
ou seja, a facilidade de seu transporte, como demonstra o Mercado da
Carne originalmente edificado na Praça Carolina (hoje praticamente
desaparecida com a construção dos prédios dos Correios
e Telégrafos, Banco do Brasil e Palácio do Comércio,
ficando apenas um pequeno espaço que passou a denominar-se Praça
Waldemar Falcão) e posteriormente desmontado e remontado em lugares
diferentes.
Outro dado interessante
diz respeito à facilidade da criação de ornamentos
com o ferro fundido possibilitando o desenvolvimento da Art-Nouveau,
presença marcante nos projetos em que o ferro foi utilizado como
principal elemento.

Interessantes referências
sobre o Mercado da Carne são encontradas em obras sobre a cidade
de Fortaleza.
Com a autorização
advinda do Decreto n ° 52, de 19 de dezembro de 1937, elaborado
pela Câmara Municipal, na Gestão do Dr. Raimundo de Alencar
Araripe, foi desmontado o Mercado da Carne.
Em 1938 foi realizado
o desmonte do Mercado da Carne. Desmembrado, é transferido um
de seus dois pavilhões para a Praça popularmente conhecida
como dos Pinhões, cuja denominação oficial é
Praça Visconde de Pelotas, nome este instituído pelo Decreto
Municipal n° 397 de 14 de setembro de 1938, onde permanece até
os dias atuais. O outro pavilhão foi deslocado para a Praça
de São Sebastião e, posteriormente, novamente desmontado
e levado para a Aerolândia, às margens da BR-116 (antigo
bairro do Alto da Balança), onde permanece sob péssimo
estado de conservação.
O Mercado dos Pinhões,
limitado pela ruas Gonçalves Ledo e Nogueira Acioli, foi restaurado
após convênio realizado entre a EMBRATUR, a Prefeitura
Municipal de Fortaleza e o IPLAM, que destinou recursos permitindo que
a obra de recuperação fosse iniciada em dezembro de 1998.
 
FICHA TÉCNICA
DA RESTAURAÇAO DO MERCADOS DOS PINHÕES
PROPRIETÁRIO:
Prefeitura Municipal de Fortaleza
Juraci Magalhães - Prefeito
Secretaria Executiva Regional II - SER II
José Eliseu Becco - Secretário
Alberto Eloy da Costa Neto - Chefe de obras e serviços urbanos
Instituto de Planejamento do Município
Joaquim Costa Rolim - Superintendente
EXECUÇÃO:
Construtora CHC Engenharia Ltda.
Responsável Técnico: Cláudio Henrique Câmara
Responsável pela Obra: José Caetano Filho
Chefe da Obra: Benedito Castro de Oliveira
Metalurgia: José Bezerra de Anchieta
Fundição: Valdemar Felipe da Silva, vulgo “Piolho”
GERÊNCIA DA OBRA:
Dimensão Engenharia de Projetos e Construções Ltda.
Responsável: Dr. José Alberto C. Cabral
Fiscal da Obra: Francisco Ronaldo Gonçalves da Silva
PROJETO ARQUITETÔNICO
Otacílio Teixeira Lima Neto - Arquiteto
Luis Carlos Moreira - Apresentação gráfica
PROJETO DE RESTAURAÇÃO
Oficina de Projetos S/C Ltda.
Arquitetos Responsáveis: José Capelo Filho, Lídia
Sarmiento.
Desenhistas: Rian Fontenele, Eduardo Valente, Dráulio Luiz Araújo.
Fotografia e Pesquisa Gráfica: Anastácia Capelo Barroso
NOTÁVEIS ARTESÃOS
Francisco Pereira Paiva - Carpinteiro e Bombeiro
Sebastião Furtado - Pedreiro
José Francisco Sampaio Vieira - Pedreiro
Vandir Barroso - Pintor
Raimundo Martins de Sousa - Pintor
Francisco Nonato dos Anjos - Pintor
Jorge da Silva Pacheco - Montador e Pintor
Francisco Pinheiro Sobrinho - Montador
José Clovis de Oliveira - Eletricista
José Cleiton Silva de Oliveira - Eletricista
Francisco José de Sousa - Eletricista
Edilailson Ribeiro Freire - Soldador
Manuel Avelino de Sousa - Soldador
Luciano Lopes - Jateador
José Maria Chagas - Jateador
Antônio de Sousa Silva - Restaurador de Mármore
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