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Seminário da Prainha / Igreja de Nossa Senhora da Conceição “da Prainha”

Ficha técnica

Localização: Avenida Monsenhor Tabosa, s/n
Uso atual: Seminário e Igreja.
Uso Original: Seminário e Igreja.
Proprietário: Arquidiocese de Fortaleza.
Época de Construção: Século XIX.
Estilo Arquitetónico: Estilo Neoclássico.
Estado Atual da Construção: A construção se encontra em bom estado técnico precisando de restauração principalmente o revestimento de azulejos da Igreja.
Grão de Conservação: As fachadas da Igreja e do Seminário se encontram com algumas transformações, principalmente pôr modificações em sua estrutura interna, crescimento e modificações não expressadas na fachada principal ( Fachada Norte) mas sim no restante do conjunto das fachadas da Igreja que sofreram modificações irreversíveis.
Grão de Proteção: ( 1 ) Proposta de Tombamento Municipal.
Valores Principais do Monumento: A Igreja de Nossa Senhora da Conceição “da Prainha” acha-se situada no inicio do antigo bairro outeiro da Prainha, bairro aristocrático da cidade. A Igreja faz parte do conjunto edificado formado também pelo Seminário fundado em 27 de setembro de 1860. O edifício atual iniciou a construção em 1868.

Descrição Arquitetônica:
A Igreja construída no sistema tradicional de alvenaria autoportante, como apoio das tesouras de madeira que compõem a estrutura da coberta, junto com as colunas centrais. Apresenta uma planta baixa e coro alto, seguindo o esquema de nave central e naves laterais, alem do altar-mor, na parte posterior da edificação. As fachadas do prédio são de grande simplicidade, destacando-se as duas torres cineras laterais coroadas por pirâmides octogonais nascidas de base quadrada enfeitadas com quatro pináculos ( hoje mais pequenos que os originais) e um frontão triangular com óculo. A fachada principal e torres se encontram revestidas de azulejos de produção semi industrial do tipo tapete possivelmente de produção Portuguesa. Os frisos que rodeiam as janelas tem azulejos decorados predominando a cor azul sobre fundo branco, assim como os grandes panos estão revestidos de azulejos branco lisos, como se generalizou no Brasil no meio do Século anterior com a intenção de proteger as construções da erosão, e diminuir a temperatura interior através da reflexão do calor.

Outro aspecto importante da Igreja que se reflete no exterior são os dois oitões laterais no altar - mor que sobressaem a ambos lados da coberta de telha da nave principal, com uma decoração vegetal acompanhando os óculos ovais que iluminam o altar.

A fachada do Seminário esta composta por um corpo de 78,65 m. e dois pavimentos, com um total de 24 janelas superiores correspondendo com janelas no pavimento térreo e uma porta central que foi fechada posteriormente.
Numero de Pavimentos: 2 Seminário
1 Igreja, com coro alto e torres cineras.

Registro Fotográfico



Igreja da N. S. da Conceição da Prainha

Histórico:
Cronologia do Monumento
Planta : engenheiro e arquiteto José Antônio Seifert.
8 de Dezembro de 1839: lançamento da pedra fundamental com celebração da missa e benção do local, pelo padre Carlos Augusto Peixoto de Alencar, nessa ocasião foi organizada uma irmandade tendo como padrinho Manuel Rufino Jamacaru.

Propositor da Obra: Antônio Joaquim Batista de Castro - procurador da Irmandade, que obteve autorização do Bispo de Pernambuco e da Prefeitura de Fortaleza.

8 de dezembro de 1841: Celebração da primeira missa.
Entre 1811 e 1847 atrás da Igreja funcionou o Cemitério da Prainha.
A Igreja foi utilizada pelo Seminário durante o tempo em que funcionou no local, passou por ampliação e serviu aos ofícios realizados pêlos padres e seminaristas.

No dia 25 de outubro de 1885, aos 68 anos de idade, Antônio Joaquim Batista de Castro ( Galinha Branca), morre deixando quase pronta a Igreja da Prainha.

Arcebispo metropolitano de Fortaleza, Dom Manoel da Silva Gomes, benze solenemente, no dia 17 de dezembro de 1922, os quatro grandes sinos da igreja de Nossa Senhora da Conceição da Prainha, batizados de Centenário, Brasil, Ceará, e Fortaleza.

Análises dos elementos componentes da edificação:
A edificação se encontra composta por una nave central, com duas naves laterais, com capelas laterais, coro alto e altar-mor, a Sacristia se encontra atrás do altar-mor formando parte do conjunto, assim como as dois torres cineras com os quatro cinos, frontão triangular e os dois elementos escultóricos: a imagem de Nossa Senhora da Conceição no alto da Igreja e o cruzeiro que perdeu sua majestuosidade quando se reduziu o espaço da entrada, (com ampliação da via) ambos de morteiro fundido. Também tem importância no conjunto as duas cruzes ( a parecer de bronze) que coroam as torres assim como o revestimento de azulejos.
Aparecem também outros elementos como vitrais e decorações que deverão ser restaurados.

Análises da estrutura e Possibilidades de recuperação:
Em linhas gerais é recuperável centrando a restauração fundamentalmente nos azulejos originais da fachada.

Análises das causas que provocam a deterioração:
A causa fundamental é a falta de manutenção e má aplicação de materiais ( pintura sobre azulejos brancos) Também existe um desgaste dos azulejos provocado pelo tempo e por intemperismo e salinidade.

Seminário Episcopal

Histórico: Cronologia do Monumento
Segunda metade do Século XIX e início do Século XX o bairro outeiro da Prainha abrigou famílias aristocráticas - Boris, Franco Rabelo, Mister Francis Hull, Araripe Junior - um dos maiores críticos literários do século XIX, o poeta José Albano e o Dragão do Mar.
Fundação do Seminário: 27 de setembro de 1860, instituído pelo primeiro Bispo do Ceará Dom Luís Antônio dos Santos, inicialmente recebeu o prédio que servia de quarentena, na Lagoa Funda, o qual não foi aceito.
Edifício Atual: Início da construção em 1868, deveria servir de colégio para as órfãs desvalidas dos familiares da irmandade da Igreja de N. S da Conceição. O bispo negociou com a congregação e mudou a Seminário para lá.

Abertura do Seminário: 8 de Dezembro de 1861 , funcionou por muitos anos como um dos principais pilares da educação do Ceará passando por ele figuras como Padre Cícero, Austregésimo de Athaide, Capistrano de Abreu, Dom Helder Câmara, Dom Eugênio Sales, entre outros que saindo do seminário fundaram Igrejas e realizaram inúmeras obras assistências e religiosas em tudo Brasil.

Origem do seminário: 6 de Junho de 1854, o papa Pio IX cria a Diocese do Ceará desmembrando - a de Olinda.
31 de Janeiro de 1859: O Imperador D. Pedro II, nomeia Bispo do Ceará o Padre Luiz Antônio dos Santos.
27 de setembro de 1860: O padre Luiz e Sagrado Bispo 29 de setembro de 1861: D. Luiz Antônio dos Santos , assume e instala a Diocese do ceará 18 de Outubro de 1864: Inaugurado o seminário da Prainha com parte da obra que já estava pronta, transferindo - se para lá o Bispo com 2 padres e 18 seminaristas. Instalou-se no dia 18 de outubro de 1864 quando era bispo Dom Luís Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará e que foi seu primeiro reitor, o Seminário Diocesano o Seminário Episcopal, criado pela Lei n. 1. 144 de 27/09/1864 . O prime prédio a abrigar o Seminário foi o atual Colégio da Imaculada Conceição, então Colégio das Órfãs . Quando ficou concluído o prédio da Prainha e Seminário o Seminário transferiu - se.

Evolução:
Objetivo: Formação do Clero, ensino das ciências e letras e a educação religiosa.
Antes de mudar - se o Bispo residia à Rua Formosa atual Barão do Rio Branco com Guilherme Rocha. Para formar o Corpo Docente do seminário o Bispo solicitou 4 padres Lazaristas ( Vicentinos )
Padre Pedro Augusto Chevalier : primer reitor do Seminário era francês, e Padre.

Construção do Seminário: O Projeto inicial da Casa das órfãs foi abandonado dando lugar ao novo, aproveitando - se parte das obras já realizadas. 20 de junho de 1861 - lançada a pedra fundamental, por Dom Luiz.

10 de Abril a 5 de Outubro de 1863 : obras administradas por Antônio Joaquim Batista de Castro - dispensado por realizar obra defeituosa.
Lourenço Vicente Enrile - Italiano, chegaram a Fortaleza em 18 de novembro de 1864, vindos da Bahia.

24 de Julho de 1865 : Chegaram juntamente com as Irmãs Vicentinas, vindos de Paris, os Padres João Batista Ribeiro e o Bertão Prat.
6 de outubro de 1863 a 13 de novembro de 1866: dirigidas por José Francisco da Silva Albano, parte das obras anteriores foram destruídas.
Idealizador da obra do Colégio : Monsenhor Hypolito ( Colégio das órfãs)
Com a instalação do Seminário e a incorporação da obra ao patrimônio do mesmo , o governo imperial autorizou o pagamento do aluguel em favor das órfãs de janeiro de 1865 até a extinção do regime monárquico. O padre Chevalier assume a direção das obras até sua conclusão, 1882.
1868: foram desapropriados casebres nas proximidades formando um quarteirão e murando toda propriedade, as obras até então realizadas constavam da parte norte com 24 janelas e nascente ainda incompleta
1869: Construção do pavilhão central para refeitório, cozinha e banheiros, dividindo o grande pátio em 2 - foi utilizado parte dos alicerces construídos em 1859, no projeto antigo.
1873 ; termina a obra.
1874 a 1877 : Concluída a parte do nascente, perfazendo 24 janelas,
1881 - 1882: construção do salão do recreio dos preparatóristas, com 8 arcadas e um alpendre, em seguida ao edifício do lado do nascente, para rouparia.
1882 : foi concluída a obra gasto a importância de 180 contos despendidos pelo Prelado, Governo da Província, esmola do povo, mitra, caixa pia da confraria de N.S. da Conceição e Seminário
Divisão Geral: Parte norte - centro, portaria; a esquerda Seminário Menor (Preparatórios), à direita Seminário Maior.
Pavilhão Central: refeitório serviço aos 2 cursos
Pátios haviam 2 pátios de 60 x 30 m uno de cursistas e outro dos preparatoristas.
No pátio Central a estátua de São Vicente inaugurada em 18 de outubro de 1889
No pátio dos cursistas no fundo a estátua de São Cura D’Ars B. João Batista Vianey, protetor dos Vigários
Pátio dos meninos 25 x 25 m. usado no tempo em que havia divisão dos menores, nele havia a estátua de N. S. das Vitórias, salva intacta do desabamento
Desabamento do pavilhão do curso de Teologia : às 3h. e 15 min da madrugada de 7 de julho de 1894 atingindo 17 seminaristas ou teólogos que dormiam, espalhando terror em tudo o resto do Seminário, alguns saíram com ferimentos leves não havendo vitimas fatais
Os alunos receberam 3 meses de ferias enquanto a pavilhão seria reconstruído, 5 dias depois do desastre foram iniciadas as obras de retirada dos escombros, reedificação da parte desabada e reforço da parte norte do edifício
Em Março de 1895 foi inaugurada a obra com ajuda do governo e da população
Outros personagens importantes que passaram pelo Seminário
Monsenhor Afonso Antero Pequeno Bispo de Petropolis, Monsenhor José Aureliano Correia dos santos fundou o Colégio das Doroteias do Rio de Janeiro Padre Valdevino Nogueira um dos fundadores da Academia Cearense de Letras
1893 D. Joaquim lhe cedia a Capela do Livramento para construção da Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Além das atividades normais o Seminário tinha uma orquestra filarmônica integrada por alunos do curso preparatório e uma escola de canto; foi a nossa primeira universidade, trazendo da Europa os Grandes Mestres
Entre 1864 a 1964: O Seminário recebeu 4 100 alunos ordenando-se 677 entre eles 510 de Ceará.
Ala Histórica: Área da Tenente Benévolo com D. Manuel funcionou o colégio Juventus até a década de 70 sob arrendamento
Para manter o prédio varias reformas foram realizadas década de 80, reforçadas as fundações e amarrações nas paredes
As obras de restauração e reforma: Em 1987 o prédio antigo estava necessitando de obras de restauração física , principalmente a parte da Av. Monsenhor Tabosa: Fissuras nas paredes, cupins, desabamento do parte do forro, destruição e exposição da fiação elétrica, banheiros quebrados e nichos abandonados
Foi lançada a proposta de tombamento, por D. Aloiso, idéia do jornalista e Historiador Francisco Lima, a campanha no deu muito resultado.
1988: Em maio inicia-se a reforma, orçada em CZ$ 54 milhões, parte financiada pelo Estado e parte pelo exterior. O projeto de D. Aloiso era transformar o ala norte num centro de estudos aberto ao público, Museu Sacro, Biblioteca, e outros equipamentos, hoje já funcionam a biblioteca e a sala histórica, como parte dos equipamentos do projeto.
No inicio da reforma foi encontrada a pedra fundamental da obra lançada por Dom Luiz em 20 de julho de 1861 com a inscrição, Recolhimento de N.S. da Conceição numa laje de mármore.
Na reforma foram reparados os defeitos já citados, o piso de madeira do andar superior foi substituído por concreto e houve implantação de virgamento nas paredes.
1931 22 de abril benção da nova capela do Seminário de Fortaleza, na parte interna
No dia 07 / 04 de 1967 o tradicional Seminário Arquiepiscopal da Prainha encerra suas atividades e dá lugar ao Instituto de Ciências religiosas no dia 19 de março de 1973 é reaberto o Seminário agoira com o nome de Seminário Regional em solenidade que também marcou a inauguração da Faculdade de Filosofia de Fortaleza.

Analises dos elementos componentes da edificação:
Do Seminário solo queda do projeto original a fachada norte a que será objeto de este projeto, tendo como elementos originais as janelas tanto seu ritmo como sua forma ogival também conserva as bandeiras cegas e parte das carpintarias.

RECUPERAÇÃO DOS AZULEJOS DA FACHADA
DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DA “PRAINHA”

Origem do Azulejo:
A azulejaria portuguesa é resultado do imaginário barroco e o seu desenvolvimento se deve ao gosto pela exuberância, pelo excesso artístico que se refletia também no tratamento dado às residências senhoriais.
O uso da cerâmica aplicada à arquitetura remonta à antigüidade. As primeiras civilizações do Oriente Próximo procuravam alegrar as imensas fachadas de tijolo cru dos palácios e templos com azulejos executados em policromia.. Em Portugal, o gosto pelo azulejo foi assimilado dos muçulmanos, que, por sua vez, herdaram dos assírios, persas, egípcios e mesmos dos chineses, povo que os árabes já conheciam desde o século IX. Assim, no final do século XV, o porto de Lisboa foi invadido por uma grande quantidade de azulejos hispano-mouriscos fabricados na Andaluzia, então dominada pelos árabes.
No Brasil, o azulejo chegou trazido pelo colonizador português. Os primeiros registros da utilização do azulejo portugueses no país podem ser encontrados em Recife e em São Luís do Maranhão, datando de 1700.

O que é azulejo:
Azulejo é designação portuguesa e castelhana, derivada do termo árabe al zulaicha, ou zuléija, que significa ladrilho e que também designa uma placa cerâmica quadrada com uma das faces decoradas e vidradas.. O termo não tem nada a ver com a cor azul, contrariamente ao que se costuma afinar freqüentemente. Ao contrário de outros países, onde o azulejo se distinguiu essencialmente pela concepção estética erudita e pelo requinte do fabrico, o azulejo português foi sempre concebido em função da sua integração arquitetônica constante e do marcado impacto ornamental.
A sua utilização é comum a outros países como Espanha, Itália, Holanda, Turquia, Irã ou Marrocos, mas em Portugal assume especial importância no contexto universal da criação artística:
1. Pela longevidade do seu uso, sem interrupção durante cinco séculos.
2. Pelo modo de aplicação, como elemento que estrutura as arquiteturas, através de grandes revestimentos no interior dos edifícios e em fachadas exteriores.
3. Pelo modo como foi entendido ao longo dos séculos, não só como arte decorativa mas como suporte de renovação do gosto e de registo de imaginário.

Com o triunfo do Liberalismo na década de 1820, o uso do azulejo sai do interior das igrejas e casas nobres e burguesas, onde decorava salas e jardins privados, e torna-se arte pública em fachadas, desenhadas algumas como peças únicas ou, de modo mais corrente, cobertas com azulejos já de produção industrial, padronagens que vieram modificar a paisagem urbana ao longo de todo o Portugal e também do Brasil, numa prática que se manteve corrente ao longo das primeiras décadas do século XX. […] O motivo repetitivo do padrão interessará, na segunda metade do século XX, alguns artistas plásticos que irão explorar exatamente estas características específicas: a criação de módulos capazes de constituírem múltiplos padrões e a possibilidade deixada ao azulejador de criar, ele próprio, a sua padronagem. Dir-se-á que o interesse dos artistas contemporâneos no padrão em azulejo é, mais do que inventar um tema visual, o de fornecer ao público um veículo para a invenção de cada utilizador. Do mesmo modo, como o revestimento das fachadas no século XIX parecia indicar uma democratização da qualidade estética do quotidiano, também agora esta proposta aberta do uso de padrão parece indiciar uma democratização do gesto criador, acessível, pela extensão das combinatórias, a qualquer indivíduo.

No Brasil, para onde desde o século XVII eram enviadas grandes quantidades de azulejos portugueses, a azulejaria vai passar a ter uma utilização diferente: o revestimento das fachadas. De início, foram aplicados apenas azulejos brancos em fachadas de igrejas, mas posteriormente esta prática estendeu-se aos prédios urbanos que se cobririam de padronagem policromicas. A partir de meados do século XIX, esta prática estendeu-se a Portugal, trazida pelos emigrantes endinheirados que regressavam às suas terras e que ficaram conhecidos na História pelo nome de "brasileiros". As fachadas das povoações do Norte (Porto, Ovar, Aveiro) e mais tarde, as do Sul, vão cobrir-se da azulejos produzidos nas fábricas surgidas após a recuperação econômica que se iniciou cerca de 1840. Na seqüência destes exemplares, cria-se a composição chamada de tapete, formados pela repetição de padrões inspirados nos desenhos das tapeçarias, e por isso rodeados de cercaduras e faixas. É o triunfo do azulejo policromático, azul e amarelo, e por vezes também verde e avinhado. Estes padrões resultavam de combinações de um número variável de azulejos, formando quadrados de 4, 16, 36, ou mais elementos. Os vários "tapetes", cada um com o seu padrão diferente, justapostos e emoldurados por faixas, revestiam de alto a baixo as paredes das igrejas e por vezes o próprio tecto, produzindo efeitos decorativos surpreendentes.

Esta azulejaria de fachada, de fabrico semi-industrial, coexistiu com outra em que estavam presentes tendências românticas e revivalistas, marcadas por uma linguagem eclética.

Recomendações para a Recuperação dos Azulejos das Fachadas - Igreja Nossa Senhora da “Prainha”- que se encontram em mal estado de conservação.

Seqüência de procedimentos a serem realizados na recuperação dos azulejos da fachada:

· Registro fotográfico exaustivo, antes, durante e depois do tratamento.
· Retirada dos azulejos soltos do suporte em que estavam com o respectivo faceamento.
· Remoção e limpeza das argamassas velhas.
· Limpeza das superfícies vidradas, que foram cobertas com fina camada de cimento, estendida às falhas, juntas e lacunas.
· Retirada de amostra de argamassa e superfície vidrada para análise de sais e fungos.
· Dessalinização de onde havia sais solúveis.
· Limpeza de matéria orgânica por oxidação e das concreções calcárias.
· Limpeza e colagem de fraturas existentes.
· Preenchimento de falhas e lacunas, pinturas e consolidação das lacunas já preenchidas.

Seqüência de passos a seguir na realização do trabalho de reprodução do azulejos e fragmentos em falta:

· Utiliza-se um módulo similar em tamanho, e caso não exista, se corta um azulejo de maior tamanho com disco diamantado com as medidas requeridas.
· Decalca-se em papel o desenho exato a reproduzir com a separação e registro correspondente das cores.
· Realiza-se um negativo e um positivo por cor.
· O positivo se copia com emulsão mediante um sistema fotográfico de exposição com lâmpada especial, sobre uma matriz ou tela de cuadricula milimétrica onde ficará fixado o desenho.
· Imprime-se.
· Coloca-se em suportes adequados e vão ao forno a uma temperatura desejada por aproximadamente quatro.

GLOSÁRIO

Alizar
Revestimento parietal que ocupa a parte inferior de uma parede e cuja altura pode variar sensivelmente entre um e dois metros.
Azulejo Aerografado
Azulejo em que as tintas são aplicadas à pistola sobre o vidrado opaco. Esta técnica é também denominada decoração ao terceiro fogo.
Azulejo De Caixilho
Ver: azulejo enxaquetado.
Azulejo Esponjado
Azulejo em que as tintas são aplicadas por intermédio de uma esponja ou de uma escova, de modo a sugerir um aspecto granitado.
Azulejo Estampado
Azulejo em que o desenho é aplicado por meio de uma estampa ou decalcomania sob o vidrado transparente. Esta técnica tem também o nome de impressão a talhe doce.
Azulejo Estampilado
Azulejo em que as tintas são aplicadas sobre o vidrado opaco utilizando uma estampilha.
Azulejos Enxaquetados
Composição de azulejos em xadrês simples ou assumindo uma estrutura mais complexa com a introdução de elementos rectangulares mais estreitos e de cor diferente, sendo neste último caso denominados azulejos de caixilho.
Azulejo de Figura Avulsa
Azulejos geralmente monocrómicos, representando cada um um motivo autónomo (flores, animais, barcos, etc.).
Azulejos de Padrão
Composição ornamental formada pela repetição regular de um ou mais azulejos. Consoante o número de elementos necessários para formar o padrão, este pode ser classificado em 2x2, 4x4, até 12x12. O s azulejos de tapete do século XVII e os azulejos semi-industriais de fachada produzidos no século XIX são azulejos de padrão.
Azulejo Semi-Industrial
Azulejo de padrão produzido no século XIX em que a decoração era feita usando técnicas semi-industrializadas, nomeadamente a estampilha ou a estampagem.
Azulejo De Tapete
Revestimento parietal de azulejos ocupando toda a extensão de uma parede ou parte dela, formado pela repetição regular de padrões policromos.
Barra
Guarnição formada por duas fiadas de azulejos inteiros.
Biscoito
Placa de barro cozido sobre a qual é aplicado o vidrado.
Cercadura
Guarnição formada por uma única fiada de azulejos.
Chacota
Ver: biscoito.
Decalcomania
Ver: azulejo estampado
Decoração ao Grande Fogo
Decoração a altas temperaturas (superiores a 800ºC) utilizada na pintura sob o vidrado transparente e na pintura sobre o vidrado opaco em cru.
Decoração Ao Fogo De Mufla
Decoração a temperatura moderada, utilizada principalmente na decoração com vidrados coloridos e na pintura sobre o biscoito.
Elemento
Azulejo considerado individualmente.
Estampilha
Papel oleado no qual estão recortados os desenhos com que se pretende decorar o azulejo e sobre o qual se aplicam as tintas.
Friso
Guarnição formada por uma fiada de frações retangulares, obtidas pelo corte de um azulejo em duas, três ou quatro tiras.
Majólica
Técnica introduzida na Península Ibérica no século XVI por Francisco Nicoloso e que permitiu pintar a superfície vidrada do azulejo.
Tardoz
Face não vidrada do azulejo.



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